Sê bem-vindo andarilho!

Entre, sente-se e se permita iludir - a mente cansada - com meus conceitos chulos, minhas ideias tão minhas e um mundo de aglomerações.
Aqui apresento, expurgo e dou conceitos - nem sempre meus - que podem servir a qualquer um.
Leia, releia e tome muito cuidado: fora ser prolixo, sou o próprio sofismo em pessoa (use isso contra mim e assuma que me lê).
Aqui o luxo é o lixo com ego inflado.
Pense que há vinho e deguste, decupe, compartimente e minta para você mesmo.
Salut à boa perdição dos perdidos, os achados em si (bemol)!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A carta de Shofiah ou O choro de uma lagarta que não virará Borboleta.

A carta de Shofiah ou O choro de uma lagarta que não virará Borboleta.

"Caro, honrado e adorado Senhor, salve-me!

Se o Senhor não me estimular a ser eu mesma, serei outra e então quero ver com qual das duas mil ficará, meu Senhor de mim.
Os portões de Suas terras encherão de pensamentos, e gados, e terras encherão de gente. Serei tantas mulheres que harém nenhum suportará tamanha diversidade. Suportará tamanha veracidade. Sul portará.
O que quer (de mim), meu Senhor de mim? Uma para mil? Mil em uma? Mil para nenhuma ou nenhuma em mil?
Dizes, por favor, e antes que eu enlouqueça deixa-me ser eu mesma, pois ainda que O ame somente em mim, para mim e comigo, não saberei ser ou amar a outra para, ainda que para Ti, Senhor.
Não saberei viver outra. Posso me passar e até estar outra, mas ser é divino e o Pai, a quem também respeito e me soprou a primitiva vida de diamante bruto, a quem somente Tu - oh, myLord! -, com especial e única habilidade de artista mestre e ancião de renome, e respeito, lapidou. E fez. No hoje. Algo melhor que o ontem e que ainda o será primor e excelência no amanhã, é capaz de entender o que sou e o que posso ser. Se me permite, Senhor, nada quero ser além do que sou e me permito ser para Ti em ti Mesmo.
Sabes, meu Senhor, sou o tudo que desejas, mas ainda não atingi a supremacia da metamorfose ao pensar que posso ser outra. Outra não posso ser. Se me quer, aceito. E, de joelhos, agradeço a dádiva e generosidade, sem tamanho, e que somente Tu poderia fazer. Assim, com Tua benção, graça e força estarei outra, mas ser...

Sinto. E peço, sem esperar resposta, Sua permissão para findar o quadro ao assinar a obra Tua. Com o mesmo sangue que tantas e tantas vezes fez circular forte por meu corpo sempre frágil, mas sempre disposto, e disponível, e à disposição a Teu uso e sabor.”
  *
*   *
O castelo, e as terras, e as muitas mulheres que ali habitavam, estremecem com o ensurdecedor barulho do disparo do canhão.
  *
*   *
Ela escreveu e atirou na própria cabeça. Com um canhão. Queria que nada sobrasse do que foi um dia e ainda assim pensou na possibilidade de, ao morrer com muitos pedaços, ser – por Ele - ressuscitada em muitas.
Só esqueceu que morta. Não poderá entrar em casulo algum. E ser borboleta.

Foi no ritual de sepultamento que Ele, soberano e à caráter, respondeu:

Adorada mulher minha, salve-se!
Que os mistérios do mundo que, por hora, habitas sejam-lhe prazentes.
Sei que, por merecimento, honra, glória e reconhecimento muito fui e mesmo entendendo que nada sou, agradeço o tardio aviso da partida.
Nem com mil carretas, charretes e cocheiros conseguirei juntar teus restos.
E isso pelo fato de ser muito mais que mil. Era somente uma, e não mais que uma, onde nem mesmo cem mil - e com as graças do Deus Pai - conseguiriam superar igual.
Era pérola e ostra e mar, terra e plantação e chuva, arma e munição e tiro certeiro. Era plena em si e somente em si tinha todas as fases da lua a cuidar das muitas noites que surgiram.
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Ao feudo, declaro luto de vinte e cinco dias mais um completo ciclo de luas.
Ao secretário-mor ordeno que providencie, junto ao mercador, outra para as noites que seguem.
Estou triste e preciso de alguém que me conforte.

E ouviu-se o estrondo. Do iniciar da festa para a escolha da nova serva do “senhor da floresta das Sombras”

(trecho de um livro que nunca escrevi, mas sempre leio dentro de mim: 24hs na floresta do senhor das Sombras)

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Szir GanoN
Terça-feira, 29 de Abril de 2008, 20:25

7 comentários:

{ÍsisdoEgito}JZ - Tua, somente tua disse...

Boa noite.

Parabéns pelo texto.

Por vezes, parece a mim, com todo respeito, que o senhor encarna a alma de mulher e do homem ao mesmo tempo, para escrever tão lindamente....e intimamente.

Beijos respeitosos,

ÍsisdoJun

candonguinha disse...

Hahahaha, rindo muito aqui!

Um tiro de bazuca para uma mosca? Ah, esqueci, para mil e uma moscas...

Esse negócio de precisar que uma pessoa que vc idolatre te diga quem vc é é meio complicado, né? risos

Bjos bjos

Szir GanoN disse...

Saudações {ÍsisdoEgito}JZ - Tua, somente tua!

Agradeço o carinho das boas falas, aprecio tanto a alma humana que o sexo, nem sempre, grita em isolado. Geralmente é uma imensa onda de ideias assexuadas. Vou escrevendo, sentindo, parindo e, ao mesmo tempo, fascinando-me com o filme que se mostra à minha frente e com a possibilidade de poder registrá-lo afim de apresentar a pessoas sensíveis como você.
*curvo-me e agradeço*
Grato!

Szir GanoN

Szir GanoN disse...

Saudações Candonguinha!

Bazuca e mosca? Quem vê? Quem reflete?
Vi a história passar em minha mente e não consegui identificar nem a bazuca e muito menos a mosca, afinal somos o que podemos ser, vimos o que queremos ver, não *sorriso*?
Por outro lado... Tenho tão claro que todas as mulheres são mil em uma que até moscas podem ser.
Por outro lado... Tenho tão claro que todos os homens são dependentes do julgo e apresentação do próprio homem que bazucas, algumas vezes, se fazem necessárias para que os pedaços se virem mil e outras moscas façam sua festa naqueles restos.
Agradeço o carinho do comentário, sei que tens boa - e sorridente - visão e isso muito me apraz, afinal chorei com a história e saber que posso rir é realmente ímpar.

Ao fim, boom!
Que morram as moscas e que reciclem o ferro da bazuca!

candonguinha disse...

Uau, tenho que esta mais afiada para vir aqui! risos

Boa noite, Sir!

Claro que eu só vi o que pode ser um reflexo das minhas fragilidades.

É a interpretação de cada um, a partir da ótica pessoal, da vivência e por aí vai...

Sim, numa abordagem mais macrosocial, há sempre o homens subjugados por outro, mas não foi essa leitura que tive. Mas é possível, sim.

Aí, moscas, urubus ou decompositores em geral dariam um bom dinamismo na cadeia alimentar.

Sir, garanto que o Sr daria muuuuitas gargalhadas de histórias que já me fizeram chorar muito...risos

Um grande beijo!

.ana. disse...

Szir GanoN

É um tiro no leitor !

É lindamente raro sim, escrever com tanta alma.

beijos

ana.mmk

Szir GanoN disse...

Salve ana!
Obrigado pelo carinho do comentário.
Hoje e sempre, Amém!